Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

* Pérolas Infantis #6 *

1531900_652893244764154_1139175347242306379_n.jpg

Oiço o toque de entrada para a minha última aula e entro na sala com os meus alunos pintainhos atrás.

Depois de todos se terem sentado e acalmado, demos início às rotinas diárias da aula. Uma das rotinas é abrir a lição no caderno - e é um orgulho ver os meus pequeninos fazerem-no brilhantemente em inglês - e de seguida o meu ajudante do dia vai escrevê-la ao quadro. Os garotos adoram fazer isto. Aqueles que terminam primeiro, colocam o dedo no ar e eu vou lá ao lugar corrigir no caderno, colocando um certo e um smile feitos com uma caneta colorida. 

 

Hoje estava (estou) super cansada e com uma uma dor de costas terrível e, por este motivo, em vez de ir às mesas dos miúdos, fiz o contrário, pedi-lhes para vir à minha.

Às tantas vêm até mim duas meninas das mais inteligentes da sala, que são super caladinhas e trabalhadoras. Enquanto corrijo a lição a uma oiço um som do género "próooo". Parei, pensei duas vezes sobre o que teria sido aquilo e depois conclui que a outra menina tinha dado um "pum"!!!

Com uma vontade horrível de explodir a rir, olhei para a menina que não se envergonhou e nem se mostrou perturbada, olhei para os outros colegas que também tinham ouvido e não cairam na risota e encerrei o episódio dizendo "parece que alguém tem as molas frouxas".

 

Tenho a forte suspeita que estes meninos comem feijoada durante todo o fim de semana e na hora da minha aula resolvem presentear-me com estes mimos. Ah pois, é que já é a quarta ou quinta vez... vindas de bilhas de gás diferentes!

Que mania que este cão tem!!!

 

O Bóbi gosta muito de estar perto de mim. Se estou na cama, gosta de se deitar um bocadinho aos meus pés, se lhe der mais um bocadinho de confiança, estica-se ao meu lado - portanto fica do meu tamanho - e põe-se a arfar de língua de fora como se estivesse a falar comigo.

 

Quando estou no computador, deita-se na minha cama, mesmo à beirinha para ficar próximo de mim e assim eu lhe fazer umas festinhas de vez em quando e ele me ir observando. Pode ser que eu coma qualquer coisinha que, embora ele possa não gostar, quer que eu partilhe com ele.

 

Mas o pior, pior é quando ele se deita debaixo da minha cadeira... Primeiro, ele acha que é minúsculo e que cabe lá debaixo. Estou para ver se algum dia a cadeira, que é de madeira, se parte. Ele apaga cá um susto que até salta pela janela. A parte mais chata é que, com ele deitado debaixo da minha cadeira, não me posso mexer. Humpf!

Segundo, assim que instala confortavelmente, aproveita para "relaxar" algumas partes do corpo. Relaxa, relaxa, relaxa, relaxa... até eu ficar completamente intoxicada! É com cada bomba antónia que até parece que estamos no Carnaval e alguém mandou uma bombinha de mau cheiro!

 

Já sabem, se alguma vez eu estiver muito tempo sem aparecer, é porque - provavelmente - estarei a recuperar nalguma unidade hospitalar na zona das intoxicações e envenenamentos...

Que mania que este cão tem!

 

 

O Padrinho: Terror À Espreita.

 

Isto de começar um domingo com uma grande moca de anti-histamínico e com uma notícia aterradora a pairar sobre a minha cabeça, tem muito que se lhe diga.

 

But first things first. Naquela semana dos feriados, tive o meu padrinho octogenário (mas em melhor estado do que eu, diga-se em abono da verdade) na minha casa a passar umas “mini-férias”.

Hoje, quando cheguei a casa da minha mãe para almoçar, ela diz-me que “parece que o tio - que é o meu padrinho – quer vir com o N. para cima no dia 15”. Eu e o N. estarrecemos, congelámos e já nem a comida nos caiu lá muito bem.

A nossa mente começou a visualizar as nossas férias estragadas pela estadia do meu padrinho. Pusemos os neurónios a funcionar a full power para arranjar desculpas e subterfúgios, para a eventualidade de recebermos um telefonema do meu padrinho a dizer para o N. o ir buscar porque vinha para Lisboa.

 

Não é por nada, mas aqueles preciosos feriados em que eu estava atafulhada de testes, preparações de festas de final de ano, relatórios de avaliação, etc., mais pareceram dias no inferno. E não fiz nada, o que significou trabalhar a dobrar nas semanas seguintes.

Mas isto nem foi o pior!

 

Imaginem lá terem de madrugar para fazer e dar  pequeno-almoço ao padrinho, pois apesar de eu deixar tudo prontinho em cima da mesa, ele sentava-se na cadeira à espera que lhe fizesse o café com leite e a torrada do pão que ele por acaso até nem gostava… pouco!

 

Depois era a cegada do almoço. Não gostava disto, nem daquilo. E até comia poucochinho, dizia ele. Quando a comida lhe agradava, enfardava bem. Quando eu lhe perguntava se não queria mais, a resposta era sempre “mai nada!” mas a seguir atestava com mais um quilo de fruta. Lol!

 

Jamais me esquecerei do som da prótese dentária: Clac! Clac! Clac! E dos “grunfs” a comer e muito menos da tosse fingida para disfarçar o soltar dos prisioneiros, que é como quem diz dos gases intestinais.

 

Até o meu cão, o Pimentinha, sofreu “ataques de festas” mais conhecidos por pancadas na cabeça e esfreganço de solas de chinelos no pêlo. O pobre bicho até já fugia do meu padrinho, mais conhecido por… Lorde Ganéche! É tão Lorde, tão Lorde que nem se mexe! Humpf!

 

Mas os piores episódios, foram os seguintes: um dia descobri que ele andava a fazer a barba com o meu sabonete de lavar as partes íntimas. Pois…

Dei a extrema-unção ao sabonete, arranjei-lhe um caixãozito e enterrei-o no caixote do lixo mais próximo. Isto permaneceu no segredo dos deuses, ou seja, entre mim e o N., até hoje.

 

Para despedida, resolveu que ao almoço queria carapaus fritos. Corri todos os supermercados à procura e nicles. Resolvi levar sardinhas. Arrisquei mesmo. Ah, e um pepino. Isto era o mais importante de tudo.

Fomos assar as sardinhas e perguntámos-lhe quantas comia. Respondeu que comia algumas 50. Assámos imensas sardinhas. Em suma, comeu 2 ou 3 e nós tivemos que morfar as outras de empreitada. O pepino?! O meu padrinho comeu-o inteiro juntamente com tomate que dava para alguns 50 e uma alfacezinha, que era só para dar cor.

Ufa! Só de me lembrar até já fiquei cansada!

 

Em resumo, a sensação que tenho é de que não fiz mais nada nesses dias senão fazer comida e dar de comer. Argh!

 

Anotações De Um Dia Vulgar

 

- Iniciei o meu dia com uma alvorada. Só na paragem. Uma senhora aproxima-se e deposita a sacalhada em cima do banco. Disfarça a sua presença e vai atrás do mupi da paragem. Duas granadas fortes foram largadas. Foram ouvidas em toda a redondeza. Regresso à parte da frente mas não acompanhada de cheirete. Ufa!

 

- Inundação no colégio. A Maria-mau-feitio (que agora me adora e não me larga), resolveu fazer um “lago” amarelinho no local onde estava. Achou que o ambiente estava muito… err… seco?! Ala tudo para o banho! Alguém explica porque temos necessidades primárias quando estamos a brincar?

 

- Maria-mau-feitio, take dois: não sei o que andam estas pitas minorcas a fazer que andam a cair para o lado de sono. A Maria, assim que acaba de almoçar, encosta a cabeça para o lado e começa a roncar. Mas o mais giro foi mesmo a andar de baloiço. Plim, plão, cabeça de cão, e a Maria a dormir no baloiço, ia caindo ao chão!

Nunca tinha visto ninguém a dormir a andar de baloiço… hummm!

 

- Fujam todos… eles andam aí. Pois é, quem é que falou que queria ter animais de estimação? E querem grandes ou pequenos? Pequenos tenho muitos para dar…

A M. apareceu hoje com um penteado novo. Gabei-lhe a “obra de arte” mas só depois entendi tal esmero. A miúda trazia bicharocos na cabeça, vulgarmente conhecidos como piolhos (argh, que comichão!), e ninguém me avisou!!! Pânico geral, e as miúdas em fila para eu lhes atar os cabelos. E eu enfiei uma caneta no meu e fiz um belo penteado. Xô piolhos indesejáveis!

 

Para terminar o dia, estou com uma bela enxaqueca… Se eu apanho a gaja, trinco-a toda!

 

Oooops...!

A minha manhã começou com uma explicação para despertar os neurónios e praticarem algum desporto. Não sem antes tomar o meu descafé para dar energia…

 

Cheguei ao centro de explicações e foi-me destinada uma sala conjunta com outra colega. Esta prática, de resto, é já normal ali no centro. Quantos mais formos numa sala, melhor é! É uma alegria.

 

Estavam a decorrer as explicações quando, subitamente, a minha colega saiu da sala em direcção à casa de banho.

Continuei a explicar a matéria à minha aluna e a ouvir uns ruídos de fundo. Não liguei, até porque faziam parte da” privacidade” da minha colega. Ela continuou mais um pouco na casa de banho, até que começámos a ouvir “aaaah!”, “aaaah!”, “aaaah!” e, de seguida, ouvimos uma série de estrondos, que se assemelhavam a foquetes-morteiros. Eu e a miúda olhámos uma para a outra, de olhos espantados, mas não fizemos nenhum comentário. Embora se tivessem ouvido uns risinhos abafados.

 

Ouvimos o autoclismo a funcionar, o desodorizante do ar a ser utilizado e a porta s ser fechada. A colega regressa à sala com um ar visivelmente mais alegre e sorriu para mim. Eu correspondi por simpatia.

Chegou a hora do final da explicação, deixámos os miúdos sair e arrumámos as nossas coisas. É então que a minha colega me faz uma pergunta: “para onde dá esta janela da casa de banho?”e eu respondi “dá aqui para a sala”. Ela terminou dizendo: ”hummm… ok!” Porque teria ela perguntado isto? I wonder...